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4 formas de deixar o bacon crocante

Foto do escritor: Mauro Regallo
Mauro Regallo
há 2 dias
6 min de leitura

Atualizado: há 16 horas

bacon crocante em uma frigideira anti-aderente em uma mesa

Todo mundo ama bacon, é um fato! Porém, para que o bacon fique bem no seu prato, ele precisa ficar crocante.


Não existe nada pior do que morder um pedaço borrachudo, pálido, com aquela capa de gordura morna desmanchando na boca feito sebo. É uma decepção, daquelas que estragam o café da manhã ou acabam com a graça daquele hambúrguer artesanal que você passou horas planejando montar no fim de semana. E pensando nisso eu vou trazer 4 formas de fazer bacon crocante para acompanhar ovos mexidos, para colocar no hambúrguer, na salada ou só comer direto do papel toalha: na frigideira, no forno, no micro-ondas e na airfryer.


Cada método desses tem uma lógica própria, uma temperatura ideal e, claro, um nível bem diferente de sujeira na cozinha.


Antes de colocar qualquer panela no fogo, a gente precisa ter uma conversa sobre o que você anda colocando no carrinho de compras do supermercado. Procure sempre uma barriga curada com corte consistente, cerca de dois a três milímetros de espessura, onde dê para enxergar com clareza o desenho das camadas: uma faixa generosa de carne avermelhada e uma camada firme de gordura branca. Bacon amarelo ou esfarelando é sinal de peça rançosa, passe longe.


Na frigideira


O método mais antigo, porém é o que tem mais chance de erros.

A maioria das pessoas faz o seguinte: liga o fogo no talo, deixa a panela fumegando e arremessa as tiras geladas lá dentro. O resultado é um festival de fumaça na casa toda, enquanto a gordura interna nem começou a derreter. Fica amargo, preto nas pontas e borrachudo no centro. Para fazer direito, comece com a frigideira fria. De ferro fundido ou inox de fundo triplo, de preferência. Acomode as tiras lado a lado, sem amontoar nem sobrepor bordas, e só então acenda a chama no nível mais baixo possível.


Conforme a frigideira esquenta devagar, a gordura do porco vai soltando. Ela vai derretendo formando uma piscininha translúcida que frita a própria carne sem pressa.


Vá virando de vez em quando com uma pinça comprida. Tire do fogo assim que atingir uma cor âmbar profunda e deixe escorrer sobre uma grade ou papel absorvente. Nunca empilhe as fatias quentes uma sobre a outra, senão o próprio vapor amolece tudo de novo em segundos.


No forno


Agora, se você está cozinhando para uma turma inteira, preparando aquele banquete de domingo de manhã com ovos mexidos, panquecas ou montando oito sanduíches de uma vez, esqueça a boca do fogão. A frigideira não tem área útil para isso e você vai passar quarenta minutos fritando duas fatias por vez enquanto a cozinha vira uma pista de patinação no gelo. A salvação para fazer em quantidade sem estresse é o forno.


O forno é disparado o meu favorito para o dia a dia quando recebo gente em casa. Ele entrega fatias perfeitamente retas, sem aquela dobra torta que atrapalha na hora de prensar o pão do hambúrguer. Pegue uma assadeira grande, forre o fundo com uma folha de papel manteiga ou papel alumínio (isso vai economizar uns quinze minutos de esponja de aço depois) e organize as tiras uma ao lado da outra. Se tiver em casa uma grade daquelas que encaixam dentro da assadeira, use sem pensar duas vezes: colocar o bacon suspenso sobre a grade faz com que o ar quente circule por cima e por baixo, enquanto a gordura pinga livremente no fundo da forma, longe da carne.


Leve ao forno preaquecido a 200 graus. Não precisa mexer, não precisa vigiar a cada trinta segundos e não respinga um pingo sequer no chão da cozinha. Por volta dos quinze a vinte minutos, o cheiro de fumaça e carne tostada vai invadir os cômodos. É o sinal. O tempo varia bastante de um forno para outro, então aos quinze minutos dê uma espiada pelo vidro.

Quando as bordas estiverem escuras e a gordura espumando em minúsculas bolhinhas na superfície, retire a assadeira. Mais uma vez, direto para o papel toalha. O bacon sai do forno levemente flexível, mas basta entrar em contato com o ar ambiente por dois minutinhos para esfriar e endurecer, quebrando com facilidade entre os dedos.


No micro-ondas


Eu sei, eu sei. Tem gente que torce o nariz imediatamente só de ouvir a palavra micro-ondas associada a carne suína, achando que vai sair dali uma aberração sem textura. É puro preconceito de quem nunca testou a técnica certa.


Para dias de semana corridos, quando você acorda atrasado para o trabalho, precisa comer uma proteína rápida com ovos e não tem a menor disposição de lavar louça engordurada, o micro-ondas é um recurso muito bom O procedimento é bem simples: forre um prato de louça com duas ou três folhas de papel toalha grosso. Coloque quatro fatias de bacon sobre o papel, deixando um espaço entre elas, e cubra com mais duas folhas de papel toalha por cima.


Esse sanduíche de papel é essencial por dois motivos: primeiro, segura os respingos violentos que sujariam as paredes internas do aparelho; segundo, absorve a gordura derretida no instante exato em que ela sai da carne, não deixando o toucinho boiar em líquido.


Coloque na potência alta por cerca de dois minutos e meio a três minutos. Aqui vale a regra da cautela: cada aparelho tem uma potência real diferente, então comece com dois minutos, abra, confira a cor e adicione mais trinta segundos se achar necessário. O bacon vai parecer meio flexível no primeiro instante em que você tira do prato, mas não se afobe.


Deixe descansar na bancada por um minuto; a umidade termina de evaporar e ele seca instantaneamente, ficando crocante e com uma coloração bastante uniforme. É a salvação de quem tem pressa e não quer abrir mão do sabor.


Na air-frier


Por fim, a queridinha da bancada moderna. A fritadeira sem óleo virou quase uma extensão do corpo de quem cozinha hoje em dia, e no caso da barriga defumada ela se comporta muito bem.


O grande trunfo da airfryer é o fluxo violento de ar superaquecido que fica circulando dentro daquele cesto pequeno. É praticamente um forno de convecção industrial em miniatura. Para fazer nela, preaqueça a 180 graus por uns três minutos. Distribua as fatias no fundo do cesto.


Deixe assar por cerca de oito a dez minutos a 180 graus. Se o seu bacon for de corte mais grosso, talvez precise de doze. Não coloque a temperatura no máximo de 200 graus logo de início, porque a gordura que escorre para a gaveta inferior da cuba pode começar a soltar uma fumaça densa e incômoda se queimar no fundo. A 180 graus o cozimento é limpo, constante e o cesto perfurado garante que todo o excesso de óleo escorra para longe da carne. Quando o alarme tocar, retire as tiras com uma pinça de silicone para não arranhar o antiaderente da cesta e coloque para secar na bancada. O estalo fica inacreditável, quase aerado.


Segredos que mudam o jogo em qualquer método


Seja qual for a ferramenta escolhida entre essas quatro, existem alguns princípios fundamentais que se aplicam a todas elas e que separam o cozinheiro amador daquele que domina o que está fazendo.


Primeiro: a gordura que sobra na assadeira, na frigideira ou no fundo da airfryer não é pra jogar fora. Nem pense em jogar essa riqueza pelo ralo da pia para entupir o encanamento. Espere amornar, passe por uma peneira fina de metal para retirar qualquer borra escura e guarde num pote de vidro esterilizado com tampa na geladeira. Essa banha defumada aromatizada dura semanas no frio e é o melhor ingrediente do mundo para refogar uma panela de feijão caseiro, fritar um ovo de gema mole, dourar cebola para um molho ou pincelar na casca de uma batata rústica antes de assar. É ouro culinário.


Segundo: a questão do sal. O bacon comercial já carrega uma quantidade substancial de cloreto de sódio e nitratos por conta do processo de cura. Conforme ele desidrata e a água evapora, a concentração salina sobe bastante. Por isso, nunca acrescente sal no preparo do bacon. Se for montar uma combinação com ovos mexidos, por exemplo, reduza o sal dos ovos, porque cada mordida no bacon crocante vai compensar a base neutra da gema com uma explosão de sabor na medida exata.


No hambúrguer, a textura do bacon define toda a experiência da mordida. O bacon precisa quebrar na primeira mordida. Para isso, as versões de forno e de airfryer são imbatíveis pelo resultado que entregam.


Agora você já domina os quatro caminhos. Tem a frigideira para quando quiser controlar o processo no olho; o forno para quando a casa estiver cheia e a meta for produzir em escala sem bagunça; o micro-ondas para salvar o café da manhã dos dias úteis com louça zero; e a airfryer para quando bater aquela vontade urgente de um lanche caprichado com rapidez e textura. Escolha o que for melhor pra você, fatie com cuidado, respeite o tempo de descanso no papel toalha e aproveite o estalo perfeito em cada mordida.


Boa sorte!

 

 
 
 

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